O ambiente que nos rodeia influencia a nossa saúde. Agora que já ENCONTROU, desafio a CONHECER um pouco mais da Saúde Ambiental que uma estagiária do I Curso de Saúde Ambiental da Escola Superior de Beja PRATICARÁ em diferentes contextos.
Auditorias e relatórios de Segurança e Higiene no Trabalho
Na última semana (12ª) fui a várias auditorias de diversos tipos de estabelecimentos, nomeadamente, cafés e restaurantes, lar, armazém de materiais de construção, oficinas, carpintaria e herdades. Como o estágio estava mesmo a terminar, só elaborei alguns relatórios mais simples.
Nos pontos seguintes são apresentadas algumas das situações incorrectas detectadas em alguns estabelecimentos.
Cafés e restaurantes
§Extintores a altura superior a 1,20m do pavimento, sem sinalética ou mal colocada;
§Inexistência/inadequação/insuficiência da iluminação e sinalética de emergência
§Pavimento susceptível de causar quedas;
§Caixa de primeiros socorros inexistente/insuficiente ou com produtos fora de prazo de validade
Armazém de materiais de construção
Exemplo de bacia de retenção de óleos
§Armazenamento de óleos sem bacia de retenção
§Extintores obstruídos §Caixa de primeiros socorros com produtos fora do prazo de validade
Herdades agrícolas com produção animal em regime extensivo
§Produtos fitofarmacêuticos armazenados em local impróprio
§Óleos, lubrificantes e combustíveis acondicionados inadequadamente (ex: sem bacia de retenção, sem fichas de dados de segurança, etc)
§Produção animal tinha sido afectada por brucelose há pouco tempo. (O que é a brucelose?)
§Inexistência de extintores em grandes armazéns de palha.
Carpintaria e armazém de interiores
§Utilização de maquinaria para corte da madeira, sem utilização de equipamentos de protecção individual; §Armazenamento em altura
Logo no inicio da semana, mudei de local de trabalho. Até à data, encontrava-me na secção projectos da sala open space, a dividir a mesa de trabalho com uma técnica da ECC, e, a partir desta semana, encontro-me na secção de Segurança e Higiene no trabalho. No inicio foi estranho, tanto por já estar habituada à colega de mesa, como pelo local ser menos reservado (local de passagem), mas depois familiarizei-me com o espaço. Mudei para este local, a sugestão da coordenadora de SHST, pois ali estaria mais próxima da secção, e seria mais fácil e prático esclarecer dúvidas que me surjam entretanto.
Nova secretária de trabalho
Já no novo espaço de trabalho, continuei com a elaboração de cartas de risco, precisamente para herdade, empresa de comércio de automóveis, serralharia, fábrica de ferragens e manutenção de espaços verdes.
Passo a descrever, de uma forma muito resumida, os principais riscos que os indivíduos que trabalham em herdades podem comportar:
- Riscos Mecânicos (Quedas no mesmo nível e em altura, atropelamento, cortes)
- Riscos Ergonómicos (ex: transporte manual de cargas)
- Riscos Físicos (exposição a intempéries, ruído e vibrações de maquinaria utilizada)
- Riscos Biológicos (do contacto com animais, podem advir doenças como a brucelose)
- Riscos químicos (quando no manuseamento de produtos fitofarmacêuticos)
O manuseamento de produtos fitofarmacêuticos acarreta elevado risco químico, consoante o produto a ser utilizado. Na hiperligação que se segue, encontra-se um folheto que incentiva à adopção de boas práticas neste campo.
A primeira auditoria de SHST que participei foi a uma biblioteca. Os riscos observados foram essencialmente ergonómicos e de incêndio. Sem dúvida que gostei bastante de fazer a auditoria, pois é uma forma de ver os perigos e riscos na prática, e não somente na teoria das cartas de risco. É diferente identificar os perigos no local,
É imprescindível o “olho clínico” para conseguir identificar no local os perigos e riscos que o trabalhador está sujeito. Penso que esta parte prática é necessária, mesmo porque podemos desconhecer os materiais ou equipamentos utilizados, o que não foi o caso da biblioteca. Outro aspecto de elevada importância é o contacto que estabelecemos com a pessoa que nos recebe e apresenta o espaço. O contacto deve ser o melhor possível, de modo a retirar toda a informação necessária do trabalhador, e, se for o caso, informar de aspectos que estão errados e que possam ser corrigidos.
Depois da auditoria elaborei o relatório de avaliação de riscos, que tem um carácter diferente daquele já utilizado nas cartas de risco. Um recurso utilizado, e de grande auxílio, é a máquina fotográfica. Com as fotografias retiradas podemos confirmar o perigo detectado, e ilustrá-lo no relatório, para que seja de fácil compreensão por parte dos trabalhadores.
Formação de Ruído
Nesta semana, também assisti a uma formação de ruído que a ECC ministrou. A acção de formação centrou-se na técnica de medição do ruído ocupacional, ou seja, o ruído a que os trabalhadores estão expostos no seu local de trabalho.
Esta formação foi em horário laboral, onde participaram vários técnicos da ECC e nós, os estagiários (eu, Isa, Rita e Rui).
Na formação foram abordados diversos temas, dedicados à medição em si. Por exemplo, o sonómetro deve ser colocado no local onde o trabalhador exerce a actividade, e o mais próximo possível do ouvido; tempo de medição que depende do ciclo de ruído da maquinaria, entre outros aspectos. De seguida juntámo-nos em grupo e todos fizemos medições-teste, para aprender a trabalhar especificamente, com o aparelho.
Sonómetro
Medição com sonómetro e tripé ajustável
Já na parte da tarde, aprendemos a tratar os dados recolhidos. Foram transferidos os dados para o computador e, com o auxílio do programa do sonómetro, elaboramos, de uma forma rápida e resumida, o relatório. Esta parte já foi mais complexa, pois implica ter algum conhecimento do funcionamento do programa. Nada que com a prática não se resolva.
Nesta acção de formação, foram fornecidos os registos das medições e o procedimento de medição.
A acção de formação foi bastante positiva, pois tinha conhecimento de algumas técnicas, mas é diferente utilizá-las na prática. Também fiquei a conhecer aspectos que desconhecia, aspectos mais práticos. Esta acção só teve um aspecto negativo, o facto de não ficarmos com certificado de frequência e habilitação à realização de medições de ruído ocupacional.
Para terminar, deixo-vos um video humuristico acerca do ruído laboral.
Entre segurança contra incêndios, perigos e riscos, e medições de ruído, me despeço destas duas semanas de estágio J